Sonho doido


Certa vez, fui convidado para uma festa no interior de São Paulo.

Foi a festa mais animada da minha vida.

Mas, na madrugada, aconteceu uma grande briga. Foi faca e tiro pra todo lado e eu mesmo bêbado, saí correndo por uma estradinha de terra. Só ouvia gritos, cachorro latindo, o galo cantando, o urubu piando e o fumo entrando.

Como eu estava muito bêbado, adormeci num lugar muito estranho e comecei a ouvir vozes de todos os lados que eram mais ou menos assim:

– Tira a boca daí seu porcão, essa coisa aí é pra veado.

– Não, eu também gosto.

Do outro lado alguém falou:

_ O galinha, que rabão bonito hem.

– Para com isso urubu, você fala pra todo mundo que só gosta de preta.

Eram tantas discussões, vindas de todos os lados, mais uma me chamou a atenção.

Era uma voz masculina dizendo:

– Sua piranha maldita, você acabou com a minha vida. Eu gostava tanto de você e você me traiu logo com aquele traíra.

Foram muitas histórias que ouvi durante o meu delírio, pensei mesmo que estava dormindo num motel, mas ao acordar com o sol na cara, é que eu notei que estava dormindo numa linda fazenda rodeada de animais, á margem de um lago com muitos peixes, inclusive piranhas.

Só então entendi aquela bronca que o cavalo-chefe deu na sua turma. Ele disse:

– Que porra é essa? Virou zona isso daqui agora? Tá todo mundo transando com espécies diferentes e ainda sem camisinha? Porque não fazem como o jumento, que está usando camisinha?

O jumento então olhou para o cavalo-chefe e disse:

– Não, eu não estou usando camisinha, eu to comendo a cobra.

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